Moda na Prática

MOVIMENTOS DA MODA

O que seria moda, senão uma série de tendências? Sabe-se que é efêmera, tem prazo de validade. Em um primeiro momento é lançada por um estilista como uma proposta de estilo e que se torna moda ao ser aceita, ou seja, consumida. A seguir acontecem as cópias, quando se torna massificada ou se populariza. A partir desse momento ela se desgasta, é vista em todas as lojas e pessoas, até que termina.

movimento da moda

Fonte da imagem: Julia Bello

Se antigamente a moda era um reflexo do que os mais ricos escolhiam para se vestir, hoje em dia a rua tem sido uma grande inspiração para toda uma cadeia econômica. Assim, a tendência de estilo aparece em grupos específicos, o mercado se apropria dele, as revistas o divulgam. O público mais “antenado” pesquisa, acredita na ideia, até que versões exclusivas aparecem nas marcas de luxo.

Apesar de alguns pensarem que é um movimento cíclico, na verdade não é, porque a moda nunca volta exatamente da mesma forma. Existe um contexto cultural, econômico, político e social que influencia a estética adotada em cada época e que vai diferenciar cada proposta.

MODA E IMAGEM

Vivemos em uma sociedade aonde a mídia divulga imagens a todo o momento, em especial na área da moda. Acontecimentos são noticiados em tempo real, reduzindo todo o tipo de distância: cultural, social, geográfica, temporal, entre outras. Um bom exemplo seria o casamento do príncipe Harry e da atriz Meghan Markle que foi acompanhado ao vivo por bilhões de espectadores de todo o mundo. Por meio de vários símbolos, o casamento mostrou ao mundo que a coroa britânica está se modernizando, adaptando-se aos novos tempos.

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No véu 53 flores bordadas representavam os países da Comunidade das Nações, com sede em Londres, onde Meghan e Harry devem centralizar as suas ações comunitárias. Fonte da imagem: revista exame.

As pessoas estão imersas em um mundo imagético que afeta a construção da identidade, uma vez que elas se apropriam de determinados símbolos que irão nortear as suas relações. É comum que alguns sujeitos desenvolvam múltiplas identidades sociais, de acordo com os laços de semelhança com os grupos com os quais eles convivem.

Consome-se imagem e identidade a partir da moda com a intenção de pertencer a um determinado grupo. Não se vende somente uma roupa, mas todo um estilo de vida. Fazem parte do universo do estilo pessoal temas como decoração, relacionamentos, viagens, carreira, beleza, entre outros.

Sendo assim, entende-se que uma certa imagem de moda pode ter altos e baixos ao longo do tempo, uma vez que a sua aceitação oscila com a mesma intensidade. No entanto, quando se fala de estilo, não existe uma obrigação de que seja aceito por uma maioria. Mas, ainda sim, pode sofrer certas variações já que se pode mudá-lo ao longo de uma vida, de acordo com as adequações pessoais e sociais.

MACROTENDÊNCIAS E O OUTONO/INVERNO 2018

Constantemente escritórios de tendências do mundo todo pesquisam os fenômenos em evolução que irão indicar novos sinais de comportamento da nossa sociedade global em geral. A esse painel complexo de informações é dado o nome de macrotendência. Esses dados permitem que sejam criados novos produtos ou serviços de acordo com o que as pessoas realmente buscam. Eles representam algo que está além de uma moda momentânea, refletem um padrão duradouro, a ser experimentado a longo prazo por todos os mercados, de qualquer marca ou empresa.

Neste momento, vivenciamos um retorno às raízes, ao que é natural, uma busca pelo simples, pela manutenção da natureza e por políticas que auxiliem na preservação ambiental. Na moda atual, esse aspecto está relacionado ao uso de tecidos rústicos, em texturas granuladas, que remetem a paisagens naturais preservadas, com as suas montanhas, pedras, areias e vegetações.

Existe uma necessidade real de desacelerar, diminuir o ritmo, em um contexto de velocidades alucinantes trazidas pelo universo virtual e pela tecnologia que está cada vez mais próxima das nossas atividades cotidianas. É preciso pensar em valorizar os rituais, tratar a vida de uma maneira mais leve, priorizando o conforto e o bem-estar. O toque sedoso do veludo, da flanela e das peles falsas, a sensação de aconchego trazida pelas peças em matelassê fazem com que nos sintamos em casa, acolhidos, independente do lugar.

Os anos noventa estão de volta e com eles o seu despojamento, as suas linhas discretas, assim como o seu ar ativo, esportivo, promovendo uma maior liberdade de movimentos. Modelagens formais como dos blazers, casacões e calças sociais ganham novos ares com o moletom, a malha e o neoprene. É a hora e a vez do jeans, em todo o tipo de roupa e tem o seu ápice nas composições inteiras neste tecido, que é considerado um ícone da moda jovem, democrática e que vem conquistando outras faixas etárias. Os tênis são usados com qualquer tipo de vestimenta, sem restrições.

A onda fitness entra na pauta do dia, assim os materiais demandam elasticidade e versatilidade, pois frequentam academias, atividades ao ar livre e também a rotina semanal agitada. Ioga, meditação, comidas orgânicas e naturais: a busca pelo saudável nutre o corpo e a alma. As novas experiências oriundas de viagens, do conhecimento de outras culturas, celebram as misturas, as diferenças, o singular e as mudanças de pontos de vista.

 

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As calças esportivas são o carro-chefe das coleções da Shoulder. Fonte da imagem: blog da Shoulder.

Estampas e texturas se integram sem tantas regras, o seu efeito é realçado pelos bordados. As proporções das peças não seguem receitas pré-definidas: as jaquetas são bem largas e compridas, as parkas podem ser longas, os quimonos, vão dos lisos até os bem trabalhados, as calças são curtas. Surgem interpretações diversas para o macacão e o colete, que se tornam itens obrigatórios dos guarda-roupas dos mais antenados. Até a pochete está de volta. O conceito utilitário ganha roupagem contemporânea.

Com o resgate dos valores antigos, do vintage, acontece também um retorno das roupas clássicas, da alfaiataria: ternos xadrezes, camisas brancas e roupas em couro. Os tons neutros sempre têm lugar como o preto, o branco, o bege e o cinza.

O humor e a diversão têm a capacidade de amenizar as tensões do mundo. Por isso o clima dos festivais está de volta. As festas resgatam o glamour e demandam brilho. Lurex, paetês, brocados, entre outros entram em cena. A criatividade está à solta com sobreposições, colorações, texturas e aplicações inusitadas. Vale a máxima: você pode se tornar aquilo que você desejar ser.

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O nascimento de uma estrela foi o principal tema da coleção Inverno 2018 da Shoulder. Fonte da imagem: blog da Shoulder.

A tecnologia já é quase uma extensão do ser humano possibilitando uma realidade virtual e aumentada. Pode-se imprimir roupas em uma máquina e é possível experimentá-las sem precisar vesti-las. Além disso, os omni channels trazem um novo conceito para o setor do varejo, aonde o ponto-de-venda se torna um local de experiências, integrando vários canais de comunicação com a marca e não exatamente realizando a venda. O consumidor está cada vez mais bem informado: pesquisa, quer satisfazer os seus desejos e receber o melhor atendimento possível dentro das suas expectativas.

GUARDA-ROUPA CÁPSULA

Para colocar em prática conceitos como o minimalismo e a simplificação, é preciso montar o seu guarda-roupa de forma estratégica, levando em consideração fatores como o seu trabalho, a sua renda, a sua rotina, o seu estilo de vida, o seu tipo físico, o seu sexo, a sua idade, entre outros. Não é o momento de sair comprando somente o que quer, mas aquilo que precisa.

Existem técnicas específicas de organização e composição de conjuntos com o objetivo de maximizar a utilização do seu tempo, dinheiro e peças do armário. De nome guarda-roupa cápsula, essa ferramenta visa a escolha de itens mais básicos para a base do seu vestuário, incrementando com apenas alguns itens mais chamativos. No final, a maioria deve combinar entre si.

Confiram algumas dicas para iniciar o seu guarda-roupa cápsula:

  1. Escolha uma cor dominante ou uma estampa para dar início ao grupo;
  2. Prefira peças básicas, com linhas simples;
  3. Selecione tecidos, estilos e cores que harmonizem entre si;
  4. Cada peça deve combinar com pelo menos outras duas;
  5. Escolha acessórios (bolsa, cinto, sapatos e bijuterias) para serem usados com estas peças de roupas;
  6. Monte grupos para diferentes ocasiões: trabalho, lazer, etc. de acordo com as necessidades do cliente.

 

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Nove peças que se intercambiam geram 36 combinações diferentes. Fonte da imagem: Julia Bello.

É interessante observar que essa metodologia também pode ser usada para a organização de malas de viagem. Com a adoção de limites menores de peso por passageiro, gerando uma sobretaxa para o excesso de bagagem, hoje é fundamental aprender a fazer uma boa seleção de peças evitando levar coisas que não serão utilizadas durante o passeio.

Caso ainda não possua um guarda-roupa que esteja nesse nível de planejamento, uma boa sugestão é buscar na internet fotografias que representem as peças que gostaria de ter. Em seguida, faça o exercício de verificação das possíveis combinações que poderiam ser feitas a partir delas.

É fundamental ter uma lista dos itens que precisa adquirir e levá-la consigo na bolsa. Sempre que der vontade de fazer uma compra por impulso, consulte a lista para saber se aquele objeto momentâneo de desejo consta das suas prioridades. Não estando na lista, só compre se for algo que ame muito e se veja usando em diversas situações.

COMO USAR LENÇOS

Os lenços, assim como outros acessórios, fazem com que roupas bem simples se tornem interessantes quase que instantaneamente. No entanto, existem algumas dicas que podem ajudar na escolha do lenço ideal para o seu tipo físico, criando um visual bonito e equilibrado. Confira abaixo:

  1. Escolha o tamanho do lenço de acordo com o seu corpo. Pessoas altas pedem por lenços grandes, assim como pessoas pequenas pedem por versões menores;
  2. Caso esteja acima do peso, prefira peças mais escuras e com pouco volume;
  3. Para pescoço curto ou grosso, use echarpes finas, longas e soltas ao redor do pescoço;
  4. Para pescoços finos e longos, abuse de modelos grandes e volumosos, mas também invista em lenços do tipo bandana, pois reduzem a sensação de alongamento dessa área.

 

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Fonte da imagem: Julia Bello

Construir uma imagem que esteja em harmonia com os seus mais variados aspectos pode ser uma tarefa interessante e ao mesmo tempo trabalhosa. As revistas, os sites e os blogs de moda têm sido grandes aliados nessa busca. No entanto, caso não tenha familiaridade com esse universo, o ideal pode ser buscar ajuda especializada para alcançar o resultado desejado. Hoje em dia pessoas comuns já entendem que não são somente as celebridades as grandes beneficiárias desse tipo de serviço, mas todos aqueles que almejam uma imagem que represente a sua personalidade e esteja adequada às suas necessidades sociais, pessoais e profissionais.

 

Com carinho,

 

Julia

Esse material foi desenvolvido para uma Oficina sobre Moda na ASTTTER (Associação dos Servidores do Tribunal do Trabalho da Terceira Região) e que foi desenvolvida em parceria com a marca de moda feminina Shoulder.

Tarde de aprendizado na Motivato

Olá!

Ontem passei a tarde na companhia de parte da turma de alunas da Motivato, que é uma empresa muito interessante aqui de Belo Horizonte. Ela oferece atividades semanais para o público 50+ que deseja ter mais qualidade de vida e motivação. Conheci a Giselle, a fundadora da Motivato, no encontro mensal do Lab 60+ aqui em BH. O Lab é uma iniciativa que visa contribuir para o empoderamento do público 60+ e tem abrangência nacional.

Lá no Lab apresentei a minha ideia de trabalhar com a imagem do público 50+ e a Giselle se ofereceu para fazer uma parceria que teve início na tarde de ontem. Iniciei a preparação desse workshop na semana passada, busquei músicas, imagens, defini reflexões e exercícios. Para mim essa parte da preparação do material é uma diversão, amo pesquisar, elaborar e planejar a dinâmica da apresentação. Não paro até me sentir satisfeita com o resultado.

Valeu muito a pena todo esse comprometimento porque esse público é incrivelmente inteligente, curioso, carinhoso e criativo. Me diverti, me emocionei, e aprendi com a experiência de vida de todas as mulheres que aceitaram o nosso convite para discutir sobre um assunto tão complexo como é a nossa identidade.

Voltar o olhar para as nossas demandas pode ser penoso, para uns mais do que para outros, mas o resultado compensa. Somos o resultado das nossas histórias, tanto das alegrias quanto das tristezas e isso nos torna seres únicos. Admiro as pessoas que não desistem de aprender e de se divertir de uma maneira sadia e autêntica, expressando as suas potencialidades.

Com carinho,

Julia

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fonte da imagem: Motivato

Workshop Descobrindo a Imagem que te Representa

Olá!

Semana que vem será a estréia da minha parceria com a Motivato, uma empresa muito bacana que tem como objetivo oferecer um espaço de convivência para a turma 50+ cuidar da saúde, fazer novos amigos, descobrir novos interesses ou aprimorar conhecimentos.

No workshop “Descobrindo a Imagem que te Representa” conversaremos um pouco sobre autoimagem, o que a imagem da mulher madura representa na nossa sociedade, os papéis que assumimos ao longo da vida e que serão fundamentais para entender e significar a nossa imagem atual, que nos representa e nos torna seres únicos, interessantes e belos, cada um à sua maneira.

Venha participar deste momento incrível! Vagas limitadas!
Faça sua inscrição pelo site:
https://www.sympla.com.br/workshop-motivato-descobrindo-a-i…

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O Corpo é a Casa

Olá!

No último final de semana visitei a exposição “O Corpo é a Casa” do artista austríaco Erwin Wurm no Centro Cultural do Banco do Brasil aqui em Belo Horizonte. O que me atraiu para a visita foi a ideia defendida por Erwin de que qualidades antes concedidas às pessoas, agora podem ser transmitidas para os objetos. Dessa forma, o corpo se adapta à roupa ou à comida; a casa e o carro engordam. Faz um bom tempo que o ser humano se apresenta para a sociedade utilizando-se de bens de consumo duráveis ou não, no entanto, transformar esse conceito em imagem, pode ser perturbador.

Em entrevista para o jornal Correio Braziliense, o artista ainda comenta que somos as primeiras esculturas já feitas: ganhamos e perdemos peso, somos esculturas nuas constantemente. Se você tem essa noção, é fácil dar o primeiro passo na ideia de que, se mudarmos volumes, mudamos o conteúdo. Não posso deixar de concordar com Erwin, uma vez que, como consultora de imagem, tive a oportunidade de experienciar grandes mudanças internas a partir de mudanças externas relacionadas às roupas. Percebo que do mesmo modo, isso acontece com pessoas que engordam ou perdem muito peso: o psicológico é bastante influenciado.

Imagino que pelo fato de Wurm estar na casa dos sessenta anos, surja uma vontade de abordar a obesidade nesta faixa etária. Na porta de entrada do centro cultural nos deparamos com uma figura enorme de cabelos grisalhos e durante o itinerário performativo, é dada uma receita de como passar do manequim 50 para o 54, também ilustrada com um senhor calvo (foto abaixo). Esse passo-a-passo, incluiria muita comida sem valor nutritivo e pouquíssima atividade física. Alguém se reconhece nessas escolhas?

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Outro ponto interessante para mim foi a relação criada entre a pessoa e a roupa. Não existem rostos, somente corpos sendo vestidos, de homens e mulheres, às crianças. Todos eles perdem a sua identidade para “ostentar” uma imagem que pode ser incômoda, exigir uma postura inadequada, transformando-os em objetos massificados. Até que ponto permaneceremos “escravos” da moda? Quando é que conseguiremos escolher uma imagem que seja adequada às nossas necessidades reais? Essas são algumas das questões que eu me perguntei ao analisar o trabalho.

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Talvez possa haver esperança se tivermos a coragem de lidar com os nossos problemas e exercitar as nossas capacidades, mesmo que estivermos mais para o final da caminhada. Aliás, quando é mesmo que ela termina? Tem gente achando que com sessenta anos ela acabou. Acredito que dependa do que você decide fazer com ela, com a escultura viva que representa cada um de nós.

Com carinho,

Julia

fonte das imagens: julia bello

 

A melhor fase

Olá!

Quarenta anos é uma idade que marca o fechamento de um ciclo. Se considerarmos que a expectativa média de vida para as mulheres no Brasil está próxima dos 80 anos, seria a metade da caminhada. Algumas, no entanto, vivem mais e outras, menos. É bonito ver pessoas que resplandecem ainda que próximas dos cem anos, entretanto dói ver ciclos interrompidos prematuramente por doenças impiedosas ou acidentes. Me entristece menos saber que quem partiu deixou um pouquinho de si com cada um que ficou.

Acredito que já faço parte de uma evolução da maturidade, seja fornecendo ferramentas para que outras mulheres se fortaleçam nesse processo, seja utilizando-me das mesmas para preparar-me para esse momento. Pretendo continuar a ser uma mulher ativa, que ama a vida, ama a si mesma e também ama aqueles que lhe fazem bem. Sou imensamente grata por ter tantas almas sábias a me guiarem pelas minhas escolhas, boas ou ruins, ajudando-me a entender o sentido de cada uma delas.

Sinto que estou iniciando a melhor fase que experimentei até agora. Fiz as pazes com o meu corpo, pois invisto em seu bem-estar. Percebo que o meu temperamento é outro, ainda que me reconheça. Apesar de estar em conexão com a minha espiritualidade e intelecto, ainda tenho um corpo e uma imagem, que não devem ser ignorados porque fazem parte de mim. O desafio é manter tudo alinhado e em harmonia porque eu me gosto e o autocuidado só me faz bem. Depois de mim, vem o outro.

Engraçado como estou me sentindo como a adolescente que queria tanto fazer 18 anos. Eu nasci seis dias antes da minha mãe fazer 40 anos e ela sempre foi super ativa. Estou me conectando com as energias que esse número quatro pode representar, desde a criação, o nascimento, o renascimento, até o movimento contínuo, o sentido de direção e os elementos da natureza.

Com carinho,

Julia

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fonte da imagem: depositphotos