O Corpo é a Casa

Olá!

No último final de semana visitei a exposição “O Corpo é a Casa” do artista austríaco Erwin Wurm no Centro Cultural do Banco do Brasil aqui em Belo Horizonte. O que me atraiu para a visita foi a ideia defendida por Erwin de que qualidades antes concedidas às pessoas, agora podem ser transmitidas para os objetos. Dessa forma, o corpo se adapta à roupa ou à comida; a casa e o carro engordam. Faz um bom tempo que o ser humano se apresenta para a sociedade utilizando-se de bens de consumo duráveis ou não, no entanto, transformar esse conceito em imagem, pode ser perturbador.

Em entrevista para o jornal Correio Braziliense, o artista ainda comenta que somos as primeiras esculturas já feitas: ganhamos e perdemos peso, somos esculturas nuas constantemente. Se você tem essa noção, é fácil dar o primeiro passo na ideia de que, se mudarmos volumes, mudamos o conteúdo. Não posso deixar de concordar com Erwin, uma vez que, como consultora de imagem, tive a oportunidade de experienciar grandes mudanças internas a partir de mudanças externas relacionadas às roupas. Percebo que do mesmo modo, isso acontece com pessoas que engordam ou perdem muito peso: o psicológico é bastante influenciado.

Imagino que pelo fato de Wurm estar na casa dos sessenta anos, surja uma vontade de abordar a obesidade nesta faixa etária. Na porta de entrada do centro cultural nos deparamos com uma figura enorme de cabelos grisalhos e durante o itinerário performativo, é dada uma receita de como passar do manequim 50 para o 54, também ilustrada com um senhor calvo (foto abaixo). Esse passo-a-passo, incluiria muita comida sem valor nutritivo e pouquíssima atividade física. Alguém se reconhece nessas escolhas?

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Outro ponto interessante para mim foi a relação criada entre a pessoa e a roupa. Não existem rostos, somente corpos sendo vestidos, de homens e mulheres, às crianças. Todos eles perdem a sua identidade para “ostentar” uma imagem que pode ser incômoda, exigir uma postura inadequada, transformando-os em objetos massificados. Até que ponto permaneceremos “escravos” da moda? Quando é que conseguiremos escolher uma imagem que seja adequada às nossas necessidades reais? Essas são algumas das questões que eu me perguntei ao analisar o trabalho.

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Talvez possa haver esperança se tivermos a coragem de lidar com os nossos problemas e exercitar as nossas capacidades, mesmo que estivermos mais para o final da caminhada. Aliás, quando é mesmo que ela termina? Tem gente achando que com sessenta anos ela acabou. Acredito que dependa do que você decide fazer com ela, com a escultura viva que representa cada um de nós.

Com carinho,

Julia

fonte das imagens: julia bello

 

A melhor fase

Olá!

Quarenta anos é uma idade que marca o fechamento de um ciclo. Se considerarmos que a expectativa média de vida para as mulheres no Brasil está próxima dos 80 anos, seria a metade da caminhada. Algumas, no entanto, vivem mais e outras, menos. É bonito ver pessoas que resplandecem ainda que próximas dos cem anos, entretanto dói ver ciclos interrompidos prematuramente por doenças impiedosas ou acidentes. Me entristece menos saber que quem partiu deixou um pouquinho de si com cada um que ficou.

Acredito que já faço parte de uma evolução da maturidade, seja fornecendo ferramentas para que outras mulheres se fortaleçam nesse processo, seja utilizando-me das mesmas para preparar-me para esse momento. Pretendo continuar a ser uma mulher ativa, que ama a vida, ama a si mesma e também ama aqueles que lhe fazem bem. Sou imensamente grata por ter tantas almas sábias a me guiarem pelas minhas escolhas, boas ou ruins, ajudando-me a entender o sentido de cada uma delas.

Sinto que estou iniciando a melhor fase que experimentei até agora. Fiz as pazes com o meu corpo, pois invisto em seu bem-estar. Percebo que o meu temperamento é outro, ainda que me reconheça. Apesar de estar em conexão com a minha espiritualidade e intelecto, ainda tenho um corpo e uma imagem, que não devem ser ignorados porque fazem parte de mim. O desafio é manter tudo alinhado e em harmonia porque eu me gosto e o autocuidado só me faz bem. Depois de mim, vem o outro.

Engraçado como estou me sentindo como a adolescente que queria tanto fazer 18 anos. Eu nasci seis dias antes da minha mãe fazer 40 anos e ela sempre foi super ativa. Estou me conectando com as energias que esse número quatro pode representar, desde a criação, o nascimento, o renascimento, até o movimento contínuo, o sentido de direção e os elementos da natureza.

Com carinho,

Julia

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fonte da imagem: depositphotos