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Moda na Prática

MOVIMENTOS DA MODA

O que seria moda, senão uma série de tendências? Sabe-se que é efêmera, tem prazo de validade. Em um primeiro momento é lançada por um estilista como uma proposta de estilo e que se torna moda ao ser aceita, ou seja, consumida. A seguir acontecem as cópias, quando se torna massificada ou se populariza. A partir desse momento ela se desgasta, é vista em todas as lojas e pessoas, até que termina.

movimento da moda

Fonte da imagem: Julia Bello

Se antigamente a moda era um reflexo do que os mais ricos escolhiam para se vestir, hoje em dia a rua tem sido uma grande inspiração para toda uma cadeia econômica. Assim, a tendência de estilo aparece em grupos específicos, o mercado se apropria dele, as revistas o divulgam. O público mais “antenado” pesquisa, acredita na ideia, até que versões exclusivas aparecem nas marcas de luxo.

Apesar de alguns pensarem que é um movimento cíclico, na verdade não é, porque a moda nunca volta exatamente da mesma forma. Existe um contexto cultural, econômico, político e social que influencia a estética adotada em cada época e que vai diferenciar cada proposta.

MODA E IMAGEM

Vivemos em uma sociedade aonde a mídia divulga imagens a todo o momento, em especial na área da moda. Acontecimentos são noticiados em tempo real, reduzindo todo o tipo de distância: cultural, social, geográfica, temporal, entre outras. Um bom exemplo seria o casamento do príncipe Harry e da atriz Meghan Markle que foi acompanhado ao vivo por bilhões de espectadores de todo o mundo. Por meio de vários símbolos, o casamento mostrou ao mundo que a coroa britânica está se modernizando, adaptando-se aos novos tempos.

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No véu 53 flores bordadas representavam os países da Comunidade das Nações, com sede em Londres, onde Meghan e Harry devem centralizar as suas ações comunitárias. Fonte da imagem: revista exame.

As pessoas estão imersas em um mundo imagético que afeta a construção da identidade, uma vez que elas se apropriam de determinados símbolos que irão nortear as suas relações. É comum que alguns sujeitos desenvolvam múltiplas identidades sociais, de acordo com os laços de semelhança com os grupos com os quais eles convivem.

Consome-se imagem e identidade a partir da moda com a intenção de pertencer a um determinado grupo. Não se vende somente uma roupa, mas todo um estilo de vida. Fazem parte do universo do estilo pessoal temas como decoração, relacionamentos, viagens, carreira, beleza, entre outros.

Sendo assim, entende-se que uma certa imagem de moda pode ter altos e baixos ao longo do tempo, uma vez que a sua aceitação oscila com a mesma intensidade. No entanto, quando se fala de estilo, não existe uma obrigação de que seja aceito por uma maioria. Mas, ainda sim, pode sofrer certas variações já que se pode mudá-lo ao longo de uma vida, de acordo com as adequações pessoais e sociais.

MACROTENDÊNCIAS E O OUTONO/INVERNO 2018

Constantemente escritórios de tendências do mundo todo pesquisam os fenômenos em evolução que irão indicar novos sinais de comportamento da nossa sociedade global em geral. A esse painel complexo de informações é dado o nome de macrotendência. Esses dados permitem que sejam criados novos produtos ou serviços de acordo com o que as pessoas realmente buscam. Eles representam algo que está além de uma moda momentânea, refletem um padrão duradouro, a ser experimentado a longo prazo por todos os mercados, de qualquer marca ou empresa.

Neste momento, vivenciamos um retorno às raízes, ao que é natural, uma busca pelo simples, pela manutenção da natureza e por políticas que auxiliem na preservação ambiental. Na moda atual, esse aspecto está relacionado ao uso de tecidos rústicos, em texturas granuladas, que remetem a paisagens naturais preservadas, com as suas montanhas, pedras, areias e vegetações.

Existe uma necessidade real de desacelerar, diminuir o ritmo, em um contexto de velocidades alucinantes trazidas pelo universo virtual e pela tecnologia que está cada vez mais próxima das nossas atividades cotidianas. É preciso pensar em valorizar os rituais, tratar a vida de uma maneira mais leve, priorizando o conforto e o bem-estar. O toque sedoso do veludo, da flanela e das peles falsas, a sensação de aconchego trazida pelas peças em matelassê fazem com que nos sintamos em casa, acolhidos, independente do lugar.

Os anos noventa estão de volta e com eles o seu despojamento, as suas linhas discretas, assim como o seu ar ativo, esportivo, promovendo uma maior liberdade de movimentos. Modelagens formais como dos blazers, casacões e calças sociais ganham novos ares com o moletom, a malha e o neoprene. É a hora e a vez do jeans, em todo o tipo de roupa e tem o seu ápice nas composições inteiras neste tecido, que é considerado um ícone da moda jovem, democrática e que vem conquistando outras faixas etárias. Os tênis são usados com qualquer tipo de vestimenta, sem restrições.

A onda fitness entra na pauta do dia, assim os materiais demandam elasticidade e versatilidade, pois frequentam academias, atividades ao ar livre e também a rotina semanal agitada. Ioga, meditação, comidas orgânicas e naturais: a busca pelo saudável nutre o corpo e a alma. As novas experiências oriundas de viagens, do conhecimento de outras culturas, celebram as misturas, as diferenças, o singular e as mudanças de pontos de vista.

 

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As calças esportivas são o carro-chefe das coleções da Shoulder. Fonte da imagem: blog da Shoulder.

Estampas e texturas se integram sem tantas regras, o seu efeito é realçado pelos bordados. As proporções das peças não seguem receitas pré-definidas: as jaquetas são bem largas e compridas, as parkas podem ser longas, os quimonos, vão dos lisos até os bem trabalhados, as calças são curtas. Surgem interpretações diversas para o macacão e o colete, que se tornam itens obrigatórios dos guarda-roupas dos mais antenados. Até a pochete está de volta. O conceito utilitário ganha roupagem contemporânea.

Com o resgate dos valores antigos, do vintage, acontece também um retorno das roupas clássicas, da alfaiataria: ternos xadrezes, camisas brancas e roupas em couro. Os tons neutros sempre têm lugar como o preto, o branco, o bege e o cinza.

O humor e a diversão têm a capacidade de amenizar as tensões do mundo. Por isso o clima dos festivais está de volta. As festas resgatam o glamour e demandam brilho. Lurex, paetês, brocados, entre outros entram em cena. A criatividade está à solta com sobreposições, colorações, texturas e aplicações inusitadas. Vale a máxima: você pode se tornar aquilo que você desejar ser.

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O nascimento de uma estrela foi o principal tema da coleção Inverno 2018 da Shoulder. Fonte da imagem: blog da Shoulder.

A tecnologia já é quase uma extensão do ser humano possibilitando uma realidade virtual e aumentada. Pode-se imprimir roupas em uma máquina e é possível experimentá-las sem precisar vesti-las. Além disso, os omni channels trazem um novo conceito para o setor do varejo, aonde o ponto-de-venda se torna um local de experiências, integrando vários canais de comunicação com a marca e não exatamente realizando a venda. O consumidor está cada vez mais bem informado: pesquisa, quer satisfazer os seus desejos e receber o melhor atendimento possível dentro das suas expectativas.

GUARDA-ROUPA CÁPSULA

Para colocar em prática conceitos como o minimalismo e a simplificação, é preciso montar o seu guarda-roupa de forma estratégica, levando em consideração fatores como o seu trabalho, a sua renda, a sua rotina, o seu estilo de vida, o seu tipo físico, o seu sexo, a sua idade, entre outros. Não é o momento de sair comprando somente o que quer, mas aquilo que precisa.

Existem técnicas específicas de organização e composição de conjuntos com o objetivo de maximizar a utilização do seu tempo, dinheiro e peças do armário. De nome guarda-roupa cápsula, essa ferramenta visa a escolha de itens mais básicos para a base do seu vestuário, incrementando com apenas alguns itens mais chamativos. No final, a maioria deve combinar entre si.

Confiram algumas dicas para iniciar o seu guarda-roupa cápsula:

  1. Escolha uma cor dominante ou uma estampa para dar início ao grupo;
  2. Prefira peças básicas, com linhas simples;
  3. Selecione tecidos, estilos e cores que harmonizem entre si;
  4. Cada peça deve combinar com pelo menos outras duas;
  5. Escolha acessórios (bolsa, cinto, sapatos e bijuterias) para serem usados com estas peças de roupas;
  6. Monte grupos para diferentes ocasiões: trabalho, lazer, etc. de acordo com as necessidades do cliente.

 

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Nove peças que se intercambiam geram 36 combinações diferentes. Fonte da imagem: Julia Bello.

É interessante observar que essa metodologia também pode ser usada para a organização de malas de viagem. Com a adoção de limites menores de peso por passageiro, gerando uma sobretaxa para o excesso de bagagem, hoje é fundamental aprender a fazer uma boa seleção de peças evitando levar coisas que não serão utilizadas durante o passeio.

Caso ainda não possua um guarda-roupa que esteja nesse nível de planejamento, uma boa sugestão é buscar na internet fotografias que representem as peças que gostaria de ter. Em seguida, faça o exercício de verificação das possíveis combinações que poderiam ser feitas a partir delas.

É fundamental ter uma lista dos itens que precisa adquirir e levá-la consigo na bolsa. Sempre que der vontade de fazer uma compra por impulso, consulte a lista para saber se aquele objeto momentâneo de desejo consta das suas prioridades. Não estando na lista, só compre se for algo que ame muito e se veja usando em diversas situações.

COMO USAR LENÇOS

Os lenços, assim como outros acessórios, fazem com que roupas bem simples se tornem interessantes quase que instantaneamente. No entanto, existem algumas dicas que podem ajudar na escolha do lenço ideal para o seu tipo físico, criando um visual bonito e equilibrado. Confira abaixo:

  1. Escolha o tamanho do lenço de acordo com o seu corpo. Pessoas altas pedem por lenços grandes, assim como pessoas pequenas pedem por versões menores;
  2. Caso esteja acima do peso, prefira peças mais escuras e com pouco volume;
  3. Para pescoço curto ou grosso, use echarpes finas, longas e soltas ao redor do pescoço;
  4. Para pescoços finos e longos, abuse de modelos grandes e volumosos, mas também invista em lenços do tipo bandana, pois reduzem a sensação de alongamento dessa área.

 

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Fonte da imagem: Julia Bello

Construir uma imagem que esteja em harmonia com os seus mais variados aspectos pode ser uma tarefa interessante e ao mesmo tempo trabalhosa. As revistas, os sites e os blogs de moda têm sido grandes aliados nessa busca. No entanto, caso não tenha familiaridade com esse universo, o ideal pode ser buscar ajuda especializada para alcançar o resultado desejado. Hoje em dia pessoas comuns já entendem que não são somente as celebridades as grandes beneficiárias desse tipo de serviço, mas todos aqueles que almejam uma imagem que represente a sua personalidade e esteja adequada às suas necessidades sociais, pessoais e profissionais.

 

Com carinho,

 

Julia

Esse material foi desenvolvido para uma Oficina sobre Moda na ASTTTER (Associação dos Servidores do Tribunal do Trabalho da Terceira Região) e que foi desenvolvida em parceria com a marca de moda feminina Shoulder.

A Nova Imagem Profissional

Olá,

Falar de imagem profissional hoje em dia é um assunto muito mais amplo do que somente as questões relacionadas à própria roupa. Em primeiro lugar é fundamental entender que essa imagem abrange três pilares principais: postura, fala e aparência.

A postura envolve a forma de lidar com as situações, os valores, assim como as questões corporais mesmo. Como eu lido com as situações que acometem o meu dia-a-dia de trabalho? No caso de momentos de estresse, por exemplo, como seria a minha reação?

É necessário que a fala harmonize com o restante dos elementos que nos representam. Imagine que eu tenha uma voz bem suave, até infantil e a minha aparência seja a de uma pessoa forte, moderna, descolada, com roupas escuras, contrastantes. São elementos bem opostos, que não se conectam e podem causar uma impressão conflituosa.

Por fim, a aparência é o elemento de maior visibilidade na imagem de uma pessoa. Será a responsável pela famosa primeira impressão. Para estar em equilíbrio, é preciso levar em consideração o seu estilo de vida, as suas proporções corporais e as cores que melhor complementam a sua fisionomia.

Então postura, fala e aparência precisam estar em sintonia com os seus objetivos, sejam eles pessoais ou profissionais. Esse alinhamento fortalece a autoestima e pode gerar mudanças em áreas aonde já existia uma certa insatisfação ou acomodação.

Vivemos um momento de grandes transformações nas dinâmicas do trabalho, aonde profissões, funções e ambientes se flexibilizam sensivelmente. Não é mais preciso exercer uma profissão ou uma função ou mesmo trabalhar em uma mesma empresa por toda uma vida. Existem milhares de possibilidades e é normal haver uma certa experimentação.

A idade é uma questão de percepção, tanto pessoal, quanto dos outros. A idade é uma característica que começa a não mais determinar a longevidade da carreira de alguém. Assim, dentro do universo laboral, será cada vez mais comum termos novos ciclos de atividades, mesmo após os cinquenta ou sessenta anos.

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fonte da imagem: http://www.saxonsgroup.com.au

Fico encantada quando vejo o brilho nos olhos, de empolgação, de quem já deu o sangue por uma instituição por muitos anos e agora acalenta novos projetos. E isso é mais do que bem vindo em um país que envelhece a passos largos e que realmente irá precisar contar com mão-de-obra capacitada intergeracional.

Uma geração aprende com a outra, acontece uma troca de experiências riquíssima. Já repararam que, geralmente, não é entre os nossos pares que ampliamos a nossa visão sobre o mundo? É necessário ouvir opiniões divergentes, diversas, para fazer com que a nossa mente busque outras possibilidades de ação.

Nada como a emoção para trazer essas relações para outro nível. Chega de relacionamentos impessoais demais, não faz mais sentido levar uma vida robotizada. Deixa isso para os robôs! O que nós precisamos é sermos mais humanos, é isso que nos irá diferenciar das máquinas e que irá garantir uma ocupação no mercado em um futuro próximo.

Com carinho,

Julia

Beleza saudável na idade madura, um olhar diferente para vários perfis

Como consultora de imagem, trabalhei muitos anos acreditando que parecer mais jovem era o desejo de uma maioria no Brasil, incluindo eu mesma. E isso não é algo fora do comum em um país que já foi jovem, mas que hoje envelhece e não admite esse envelhecimento.

Somos um povo que, em geral, cultua a juventude e produz modelos que não refletem a realidade de uma maioria. A mídia vende esse conceito e nós o compramos. Somos bombardeados por propagandas que mostram mulheres bonitas, magras, jovens e seminuas.

Em 2003 a marca Avon empreendeu um estudo com mais de 210 mil mulheres em cerca de 24 países e concluiu que a preocupação das brasileiras com a vaidade é maior do que a média mundial.

Na busca por compreender um pouco melhor o que nos induziria a esse tipo de comportamento, encontrei uma pesquisa de 2017, realizada pela empresa GFK. Tal pesquisa diz que entre os fatores que motivam essa vaidade tanto para homens como mulheres, estão: sentir-se bem consigo mesmo, causar uma boa impressão ao conhecer pessoas e dar um bom exemplo para os filhos.

Abaixo dos 30 anos existe ainda a preocupação em ser atraente e acima dos 50 anos, em agradar o parceiro. É claro que as pesquisas costumam espelhar uma atitude que representa uma média da população, então aqueles que fogem do padrão acabam ficando de fora.

BELEZA PARA VIÚVAS

Vejo, por exemplo, que acima dos sessenta anos no meio em que convivo, existem duas situações que acontecem muito e que irão influenciar na vaidade:

  • na primeira, a mulher (viúva ou não) cuida da sua imagem porque quer sair de casa para se divertir com as amigas, tem uma vida cultural e social bem agitada;
  • já na segunda, a mulher está viúva e por isso, não se vê mais na obrigação de estar bonita, porque todo o seu autocuidado era direcionado para agradar o marido e não a ela mesma.

BELEZA PARA AS CUIDADORAS FAMILIARES

Existe ainda um público que é majoritariamente feminino e na faixa etária acima dos cinquenta anos (ainda que isso esteja se ampliando para todas as idades):

  • grupo das pessoas que se tornam cuidadores familiares de entes que possuem algum tipo de enfermidade crônica.

Eu me encontro dentro desse universo e percebo como é difícil o autocuidado quando a nossa preocupação central é o bem-estar do outro. O cuidador vem em último lugar e por isso a sua imagem acaba ficando de lado, e em consequência a vaidade e a autoestima.

É uma luta constante nos lembrarmos de que para que façamos o melhor para o nosso doente, é fundamental que estejamos saudáveis, e para isso acontecer, precisamos nos cuidar.

A BELEZA PARA OS HOMENS MADUROS

No caso dos homens maduros, a realidade da vaidade pode ser bem diferente. Uma grande maioria, ao longo da vida, vincula o cuidado com a aparência ao sexo oposto ou, então, ao universo profissional.

Então, ao se aposentarem, se aposentam também da necessidade de se cuidar. Se o homem estiver casado, a tendência é permanecer mais tempo em casa, diante da televisão, sem se preocupar em estar com a saúde ou a imagem em dia, quer ter os cuidados da companheira.

No caso de o homem estar solteiro, há a necessidade de encontrar uma parceira, então a vida se torna mais ativa e os cuidados com a imagem integram a sua rotina diária: a ginástica, a compra de roupas atuais, o corte de cabelo e os eventos sociais.

Para aqueles que buscam frear os efeitos “indesejáveis” do envelhecimento temos uma ampla gama de tratamentos estéticos e cosméticos que prometem maravilhas para quem está disposto a investir uma boa soma de tempo e de dinheiro.

Nada contra esse tipo de cuidado, eu mesma tenho um ritual diário de beleza, mas que isso seja feito de forma consciente, entendendo que não é possível parar o relógio, mas fazer uma boa manutenção, evitando avarias mais sérias.

Milagres não existem então a ideia é estar relativamente preparado para lidar com questões que estariam relacionadas ao “tempo de uso” do nosso corpo e à nossa genética. Que bom que estamos começando a presenciar um movimento, ainda que tímido, de atores importantes dos meios de comunicação como a revista VOGUE, que é uma lançadora de moda e formadora de opinião.

Desde 2017, iniciou uma campanha para que as empresas de beleza não utilizem mais a terminologia anti anging em seus produtos, partindo do princípio que não é possível parar o processo de envelhecimento.

fonte da imagem: revista Vogue

Vou acompanhar a repercussão disso e espero trazer mais notícias sobre essa questão. Outras empresas que merecem os aplausos para as suas ações são a DOVE (#belezaforadacaixa, #realbeauty) e a NATURA (#bemestarbem, #vivaasuabelezaviva).

A Dove começou a utilizar o tema “Beleza Real” para a sua publicidade em 2004, ao mostrar mulheres do dia a dia sem os efeitos especiais do Photoshop. Com essa série de propagandas a Dove ganhou inúmeros prêmios, além de ter tido um aumento gigantesco nos seus resultados de vendas.

Em 2017 a marca atualizou a ação “Real Beleza” com novos anúncios que mostram 32 mulheres, de 11 a 71 anos, originárias de 15 países ao redor do mundo, incluindo Brasil, Índia, China e as Filipinas. O objetivo principal é mostrar que a “Real Beleza” feminina inclui uma diversidade de etnias, formas, tamanhos e estilos.

É importante falar sobre alguns dados encontrados em um estudo recente feito pela Dove e que está disponível em seu site:

  • apenas 4% das mulheres em todo o mundo se consideram bonitas
  • 80% das mulheres concordam que todas possuem algo de bonito em si, mas não conseguem saber o que seria
  • 54% das mulheres entendem que são elas que mais se criticam
  • 76% acreditam que os meios de comunicação estabelecem um padrão de beleza inalcançável

A Natura vem construindo uma trajetória bem coerente. Um dos primeiros slogans utilizados por ela foi ““Beleza não tem idade”, nos idos anos de 1984, que buscava mostrar que os seus produtos poderiam reduzir as rugas, mas não trariam a juventude de volta. A primeira campanha de Chronos, no início dos anos noventa, juntou dezoito mulheres de todas as idades, profissões, cores, pesos e estaturas.

Ainda hoje a linha Chronos continua a ser um dos carros-chefes da empresa focando no conceito de beleza livre de estereótipos. Em 2000 a Natura adotou o posicionamento “Bem Estar Bem”. E assumiu a palavra velho nas suas mensagens ao criar a hashtag #velhapraisso para divulgar um vídeo aonde cinco mulheres enfrentam o tabu de serem consideradas “velhas demais” para suas escolhas.

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fonte da imagem: site da natura

O trabalho dessas empresas da beleza é fundamental para que sejam criados novos padrões estéticos que representem as escolhas de homens e mulheres de uma forma mais ampla, sem terem que se encaixar em grupos restritos com os quais não se identificam.

Comportamentos que fogem do que é praticado pela maioria tendem a serem marginalizados e depreciados, mas, quando encontram um eco para suas atitudes, se fortalecem e se validam.

A internet tem um papel fundamental nesse sentido, pois é a partir dela que são criadas pontes inimagináveis, encurtando distâncias e reduzindo a dificuldade de se comunicar em outras línguas. Essa quebra de barreiras produz esse conceito de diversidade que tem norteado uma ampla gama de ações educacionais.

Para mim é até difícil pensar que foi somente agora, com quase 40 anos, que entendi que a busca por uma imagem saudável seria uma meta muito mais interessante do que a busca por uma imagem jovem. Creio que é impossível alguém se sentir bonita e feliz se, ao mesmo tempo, não estiver se sentindo saudável.

Sabiam que de acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS), ter saúde não é somente não ter uma doença, mas ter um estado de equilíbrio entre corpo, mente e o social. Ou seja, não dá para ser saudável se você não se valoriza, não se cuida, não tem o apoio dos seus amigos e família ou não os apoie de alguma maneira.

Ter saúde dá trabalho, não é algo que acontece sozinho, por osmose. Precisa ser uma preocupação diária e constante, fazer parte da rotina. Não dá para escovar os dentes uma vez por semana e acreditar que a prevenção de cáries e outras infecções está sendo feita, assim como não dá para tomar banho somente aos Sábados e acreditar que é o suficiente para ter um corpo limpo e bem cuidado.

Da mesma forma, não dá para encontrar os amigos somente uma vez ao ano e achar que isso basta para se sentirem amados e amparados. O tempo não pára, então, quando vimos, ele já passou e não reservamos espaço para cuidarmos de nós e concretizarmos essa interação.

Afinal, ter saúde na maturidade envolve também questões sociais, então para que possamos construir uma imagem positiva da velhice é preciso acontecer ações em conjunto com essa finalidade. Eu, como estilista e consultora de imagem, quero poder conseguir quebrar alguns paradigmas relacionados à beleza acima dos cinquenta ou sessenta anos.

Não precisamos viver buscando nos encaixar em padrões estéticos, mas sim entender qual é a nossa beleza, respeitando os nossos valores, as nossas limitações, mas também compreendendo que é importante se cuidar e buscar ajuda de profissionais se estiver difícil fazer tudo sozinho.

Assim, pretendo com esses textos trazer informações e reflexões que nos aproximem cada vez mais da nossa essência, do que é fundamental para nos sentirmos mais felizes, bonitos e autênticos.

Com carinho,

Julia

Artigo escrito por mim no mês de Maio de 2018, como colaboração para o site: aterceiraidade.net

Sou 60 No Sempre Um Papo

Olá,

No dia 07 de Novembro de 2017 estive no Projeto Sempre Um Papo aqui em Beagá onde a jornalista Roberta Zampetti conversou sobre a sua primeira obra literária. Roberta realizou inúmeras pesquisas sobre a maturidade e a longevidade na busca por se entender melhor. Desse processo nasceu o programa Sou 60, que começou a ser veiculado pela Rede Minas há mais ou menos um ano e está disponível gratuitamente no youtube. Já é um sucesso e em breve será exibido nacionalmente. Oba! Também será lançado um site onde serão hospedados todos os conteúdos acumulados pela autora.

Alguns personagens entrevistados por ela compartilharam as suas experiências com o público do evento. Me diverti com o senhor paraibano que descobriu que existia depressão quando chegou a Minas Gerais. Bem humorado, contou que imaginara que depressão era algum tipo de comida muito comum por essas bandas. Justificou a sua ignorância em relação ao termo explicando que no nordeste não se conhece esse sentimento. Aconselhou-nos a viver com mais autonomia sem nos preocuparmos tanto em agradar aos outros. Ótima dica! Vamos nos movimentar mais e depender menos.

Iniciei a leitura do livro e de cara identifiquei-me com a Roberta. Embora em fases diferentes da vida, ambas buscamos novos propósitos, com a intenção de entender o que realmente nos preenche e dá satisfação. Assim como ela, venho transformando o meu aprimoramento pessoal em uma ferramenta de utilidade pública. E por fim, acreditamos que o conhecimento e a conscientização promovem grandes transformações. Não dá para fechar os olhos para os mais vividos e fingir que eles não fazem parte da sociedade, é preciso trazê-los para o centro da convivência e criar espaços para que eles interajam naturalmente com todas as idades.

Amei o prefácio do livro da Roberta escrito pelo médico gerontólogo Alexandre Kalache. Ele incentiva a interação geracional em todos os ambientes, incluindo o escolar, uma vez que estamos perdendo esse costume dentro de nossas próprias casas, famílias e ambientes profissionais. A velhice não chega de repente, embora a sensação geral seja a de que um belo dia nos enxergamos velhos. Então a recomendação é começar a se preparar desde cedo. Uma juventude saudável é um grande passo para se ter uma velhice com uma boa qualidade. Bora lá? Eu estou me preparando.

Com carinho,

Julia

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fonte da imagem: Julia Bello.

Moda para a Maturidade

Olá!

Essa semana estive envolvida com a elaboração de conteúdo para o curso de consultoria de imagem e alguns dos assuntos das aulas foram moda, indumentária e estilo. Sempre que falo sobre esses temas faço questão de frisar que moda não é futilidade, como muitos pensam por aí. A maioria do pessoal é bem pé no chão, trabalhador, esforçado, porque é um trabalho muito complexo, trabalhoso.

Para aqueles que não pertencem ao meio fashion, é bom dizer que a moda é o reflexo do que acontece em uma sociedade em determinada época. Ela influencia diversos aspectos além da roupa, como: música, filmes, literatura, arquitetura, hábitos, objetos de decoração, culinária, tecnologias, viagens entre outros. Não precisa ser prioridade na vida de ninguém, mas sem dúvida traz um ar de frescor e modernidade para aquilo que já se tornou comum e sem graça.

Observo que hoje nem a velhice ou a juventude possuem o mesmo significado de antigamente. Li um artigo que dizia que o comportamento do jovem está influenciando o comportamento do público senior e isso pode explicar um pouco porque as pessoas acima de 60 não querem agir segundo um estereótipo. Assim como os jovens, são inquietos, ativos e buscam atividades que lhes deem prazer.

Desta forma, imagino que em breve os 60+ se verão melhor representados pelo comércio e serviços, pela moda, porque as suas demanda já estão sendo observadas, estudadas, para que sejam atendidas. Para mim uma das sacadas mais importantes é que não é necessário criar produtos totalmente diferentes dos que existem, mas adaptá-los. Dessa maneira as pessoas se sentiriam mais incluídas.

E se temos look do dia de blogueiras adolescentes e jovens que influenciam tantas pessoas, que tenhamos também boas referências no quesito 50 ou 60+. Consuelo Blocker http://www.consueloblog.com/ tem feito um trabalho interessante e hoje descobri também os blogs da Beth Djalali https://www.styleatacertainage.com/ e Dorrie Jacobson http://www.seniorstylebible.com que sugerem uma estética bonita e atual.

Com carinho,

Julia

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Eu Vejo também

Olá,

Esta semana, ao preparar algumas aulas para o curso de consultoria de imagem que irei ministrar lá no Senac, encontrei o canal do youtube da Daiana Garbin. Ela era repórter da Rede Globo e resolveu sair da emissora para se dedicar ao movimento Eu Vejo. Daiana tem a intenção de compartilhar a sua experiência como portadora de um transtorno de distorção de imagem. A cada semana Daiana entrevista psiquiatras, dermatologistas, nutricionistas e pessoas que possuem algum histórico com problemas de aceitação da própria imagem.

Vocês sabiam que a construção da nossa imagem corporal é feita a partir da interação afetiva com o outro na infância? Dr. Alexandre Pinto de Azevedo, médico psiquiatra, diz ainda: “Quanto mais precocemente se constrói uma autoavaliação positiva e, portanto, uma autoimagem positiva, mais seguro de si o indivíduo será, não somente o seu corpo, mas também os inúmeros parâmetros de autoavaliação.” Percebo agora como as pessoas em geral não entendem o peso de uma boa educação, que ofereça uma visão ampla do que é a beleza, evitando a imposição de estereótipos, incentivando a diversidade.

Desde adolescente, tenho muito medo de engordar, de ficar gorda e na verdade nunca o fui. Olha os exemplos que eu tive em casa: uma mãe que sempre foi bastante magra e um pai que costumava estar bem acima do peso, em constante briga com a balança. Assim também eu, vivia de dieta. Um dos maiores medos do meu pai era que as suas filhas ficassem acima do peso como ele. Agradeço à minha mãe que procurou dosar comidas saudáveis com outras nem tanto, ainda que gostosas, para que soubéssemos lidar bem com todas as situações.

Continuo acreditando que posso perder um pouco mais de peso, a minha referência de beleza é a pessoa magra. Gosto da minha imagem no espelho, mas nas fotos a situação costuma ficar mais complexa porque muitas vezes o que estava ok para o espelho, se transforma em defeito. No entanto, nada disso me impede de realizar as minhas atividades e nem de manter uma vida social, porque acho que é normal não se achar linda todos os dias.

Como consultora de imagem, lidar com uma diversidade de belezas me ajudou a descobrir que o que antes era considerado fora dos padrões pela sociedade pode ser bonito e interessante. As pessoas precisam aprender a se aceitar e a valorizar os seus pontos fortes e quando consigo fazê-las enxergar isso, sinto-me muito realizada. Que cruel é a nossa cultura que pune os cidadãos tentando alcançar padrões inalcançáveis de beleza com modelos que não representam as pessoas comuns. E se já é difícil enfrentar isso enquanto jovem, imagina quando chegamos à maturidade?

As redes sociais tornaram essa relação ainda mais complicada porque aproximam realidades muito diferentes e ensinam métodos de autocuidado que podem acabar sendo nocivos com o tempo. Essa semana me deixou muito triste a falta de critério da publicidade de uma marca de beleza que mostra um produto anti-idade sendo usado por uma quase adolescente de 21 anos. Fico agradecida, porém, de ver que existem pessoas como a Daiana Garbin que utiliza a sua popularidade em prol da saúde e da conscientização sobre problemas que não são discutidos ou tratados da maneira mais adequada pela nossa sociedade consumista.

Com carinho,

Julia

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fonte da imagem: site Daiana Garbin

Tarde de aprendizado na Motivato

Olá!

Ontem passei a tarde na companhia de parte da turma de alunas da Motivato, que é uma empresa muito interessante aqui de Belo Horizonte. Ela oferece atividades semanais para o público 50+ que deseja ter mais qualidade de vida e motivação. Conheci a Giselle, a fundadora da Motivato, no encontro mensal do Lab 60+ aqui em BH. O Lab é uma iniciativa que visa contribuir para o empoderamento do público 60+ e tem abrangência nacional.

Lá no Lab apresentei a minha ideia de trabalhar com a imagem do público 50+ e a Giselle se ofereceu para fazer uma parceria que teve início na tarde de ontem. Iniciei a preparação desse workshop na semana passada, busquei músicas, imagens, defini reflexões e exercícios. Para mim essa parte da preparação do material é uma diversão, amo pesquisar, elaborar e planejar a dinâmica da apresentação. Não paro até me sentir satisfeita com o resultado.

Valeu muito a pena todo esse comprometimento porque esse público é incrivelmente inteligente, curioso, carinhoso e criativo. Me diverti, me emocionei, e aprendi com a experiência de vida de todas as mulheres que aceitaram o nosso convite para discutir sobre um assunto tão complexo como é a nossa identidade.

Voltar o olhar para as nossas demandas pode ser penoso, para uns mais do que para outros, mas o resultado compensa. Somos o resultado das nossas histórias, tanto das alegrias quanto das tristezas e isso nos torna seres únicos. Admiro as pessoas que não desistem de aprender e de se divertir de uma maneira sadia e autêntica, expressando as suas potencialidades.

Com carinho,

Julia

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fonte da imagem: Motivato

Workshop Descobrindo a Imagem que te Representa

Olá!

Semana que vem será a estréia da minha parceria com a Motivato, uma empresa muito bacana que tem como objetivo oferecer um espaço de convivência para a turma 50+ cuidar da saúde, fazer novos amigos, descobrir novos interesses ou aprimorar conhecimentos.

No workshop “Descobrindo a Imagem que te Representa” conversaremos um pouco sobre autoimagem, o que a imagem da mulher madura representa na nossa sociedade, os papéis que assumimos ao longo da vida e que serão fundamentais para entender e significar a nossa imagem atual, que nos representa e nos torna seres únicos, interessantes e belos, cada um à sua maneira.

Venha participar deste momento incrível! Vagas limitadas!
Faça sua inscrição pelo site:
https://www.sympla.com.br/workshop-motivato-descobrindo-a-i…

bannerworkshopmotivato

A Invisibilidade da Maturidade

Olá!

Em praticamente todos os conteúdos que leio sobre a maturidade se fala da tal invisibilidade que principalmente as mulheres adquirem ao atingir certa experiência de vida. Falta uma linguagem que as represente, que entenda os seus gostos e necessidades. A publicidade, a moda, a beleza, a medicina, as empresas e a educação são algumas das áreas que necessitam atualizar a forma de lidar com esse público.

O livro “A Revolução das Sete Mulheres” mostra depoimentos de mulheres que se incomodam por serem mostradas a partir de estereótipos. Não se sentem como as idosas de antigamente, são vaidosas, produtivas e sociáveis. Acima de tudo, querem preservar a sua individualidade e a liberdade de escolha.

Fogem dos tem que vestir roupas sóbrias, tem que usar cabelos curtos, tem que pintar os cabelos ou tem que frequentar um mundo reservado para a terceira idade. A paixão, seja por elas mesmas, outra pessoa ou um novo projeto faz com que mantenham a chama da vaidade acesa.

Dentro desse panorama, para mim se torna interessante voltar o meu olhar para o universo de minha mãe. Posso afirmar que viveu fora dos padrões convencionais e buscou a sua autenticidade. Mesmo hoje, com as limitações que o Alzheimer lhe trouxe, conserva a sua personalidade. Quer escolher as suas roupas, acessórios, comida e programa de televisão. Usa maquiagem todos os dias.

Percebo que ela entrou para outra categoria de invisíveis, que é a dos doentes sem “cura”. No entanto, quem convive com ela, vê que ali também não existe regra, cada caso é um caso. Hoje mesmo, ao conversar sobre o seu estado de saúde ouvi a seguinte frase: engraçado, era para ela estar piorando, mas está melhorando. Raramente vejo o Alzheimer ser representado com essa vitalidade.

Com carinho,

Julia

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fonte da imagem: site linguagem do coração

O Corpo é a Casa

Olá!

No último final de semana visitei a exposição “O Corpo é a Casa” do artista austríaco Erwin Wurm no Centro Cultural do Banco do Brasil aqui em Belo Horizonte. O que me atraiu para a visita foi a ideia defendida por Erwin de que qualidades antes concedidas às pessoas, agora podem ser transmitidas para os objetos. Dessa forma, o corpo se adapta à roupa ou à comida; a casa e o carro engordam. Faz um bom tempo que o ser humano se apresenta para a sociedade utilizando-se de bens de consumo duráveis ou não, no entanto, transformar esse conceito em imagem, pode ser perturbador.

Em entrevista para o jornal Correio Braziliense, o artista ainda comenta que somos as primeiras esculturas já feitas: ganhamos e perdemos peso, somos esculturas nuas constantemente. Se você tem essa noção, é fácil dar o primeiro passo na ideia de que, se mudarmos volumes, mudamos o conteúdo. Não posso deixar de concordar com Erwin, uma vez que, como consultora de imagem, tive a oportunidade de experienciar grandes mudanças internas a partir de mudanças externas relacionadas às roupas. Percebo que do mesmo modo, isso acontece com pessoas que engordam ou perdem muito peso: o psicológico é bastante influenciado.

Imagino que pelo fato de Wurm estar na casa dos sessenta anos, surja uma vontade de abordar a obesidade nesta faixa etária. Na porta de entrada do centro cultural nos deparamos com uma figura enorme de cabelos grisalhos e durante o itinerário performativo, é dada uma receita de como passar do manequim 50 para o 54, também ilustrada com um senhor calvo (foto abaixo). Esse passo-a-passo, incluiria muita comida sem valor nutritivo e pouquíssima atividade física. Alguém se reconhece nessas escolhas?

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Outro ponto interessante para mim foi a relação criada entre a pessoa e a roupa. Não existem rostos, somente corpos sendo vestidos, de homens e mulheres, às crianças. Todos eles perdem a sua identidade para “ostentar” uma imagem que pode ser incômoda, exigir uma postura inadequada, transformando-os em objetos massificados. Até que ponto permaneceremos “escravos” da moda? Quando é que conseguiremos escolher uma imagem que seja adequada às nossas necessidades reais? Essas são algumas das questões que eu me perguntei ao analisar o trabalho.

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Talvez possa haver esperança se tivermos a coragem de lidar com os nossos problemas e exercitar as nossas capacidades, mesmo que estivermos mais para o final da caminhada. Aliás, quando é mesmo que ela termina? Tem gente achando que com sessenta anos ela acabou. Acredito que dependa do que você decide fazer com ela, com a escultura viva que representa cada um de nós.

Com carinho,

Julia

fonte das imagens: julia bello