projeto bela maturidade

A Nova Imagem Profissional

Olá,

Falar de imagem profissional hoje em dia é um assunto muito mais amplo do que somente as questões relacionadas à própria roupa. Em primeiro lugar é fundamental entender que essa imagem abrange três pilares principais: postura, fala e aparência.

A postura envolve a forma de lidar com as situações, os valores, assim como as questões corporais mesmo. Como eu lido com as situações que acometem o meu dia-a-dia de trabalho? No caso de momentos de estresse, por exemplo, como seria a minha reação?

É necessário que a fala harmonize com o restante dos elementos que nos representam. Imagine que eu tenha uma voz bem suave, até infantil e a minha aparência seja a de uma pessoa forte, moderna, descolada, com roupas escuras, contrastantes. São elementos bem opostos, que não se conectam e podem causar uma impressão conflituosa.

Por fim, a aparência é o elemento de maior visibilidade na imagem de uma pessoa. Será a responsável pela famosa primeira impressão. Para estar em equilíbrio, é preciso levar em consideração o seu estilo de vida, as suas proporções corporais e as cores que melhor complementam a sua fisionomia.

Então postura, fala e aparência precisam estar em sintonia com os seus objetivos, sejam eles pessoais ou profissionais. Esse alinhamento fortalece a autoestima e pode gerar mudanças em áreas aonde já existia uma certa insatisfação ou acomodação.

Vivemos um momento de grandes transformações nas dinâmicas do trabalho, aonde profissões, funções e ambientes se flexibilizam sensivelmente. Não é mais preciso exercer uma profissão ou uma função ou mesmo trabalhar em uma mesma empresa por toda uma vida. Existem milhares de possibilidades e é normal haver uma certa experimentação.

A idade é uma questão de percepção, tanto pessoal, quanto dos outros. A idade é uma característica que começa a não mais determinar a longevidade da carreira de alguém. Assim, dentro do universo laboral, será cada vez mais comum termos novos ciclos de atividades, mesmo após os cinquenta ou sessenta anos.

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fonte da imagem: http://www.saxonsgroup.com.au

Fico encantada quando vejo o brilho nos olhos, de empolgação, de quem já deu o sangue por uma instituição por muitos anos e agora acalenta novos projetos. E isso é mais do que bem vindo em um país que envelhece a passos largos e que realmente irá precisar contar com mão-de-obra capacitada intergeracional.

Uma geração aprende com a outra, acontece uma troca de experiências riquíssima. Já repararam que, geralmente, não é entre os nossos pares que ampliamos a nossa visão sobre o mundo? É necessário ouvir opiniões divergentes, diversas, para fazer com que a nossa mente busque outras possibilidades de ação.

Nada como a emoção para trazer essas relações para outro nível. Chega de relacionamentos impessoais demais, não faz mais sentido levar uma vida robotizada. Deixa isso para os robôs! O que nós precisamos é sermos mais humanos, é isso que nos irá diferenciar das máquinas e que irá garantir uma ocupação no mercado em um futuro próximo.

Com carinho,

Julia

Beleza saudável na idade madura, um olhar diferente para vários perfis

Como consultora de imagem, trabalhei muitos anos acreditando que parecer mais jovem era o desejo de uma maioria no Brasil, incluindo eu mesma. E isso não é algo fora do comum em um país que já foi jovem, mas que hoje envelhece e não admite esse envelhecimento.

Somos um povo que, em geral, cultua a juventude e produz modelos que não refletem a realidade de uma maioria. A mídia vende esse conceito e nós o compramos. Somos bombardeados por propagandas que mostram mulheres bonitas, magras, jovens e seminuas.

Em 2003 a marca Avon empreendeu um estudo com mais de 210 mil mulheres em cerca de 24 países e concluiu que a preocupação das brasileiras com a vaidade é maior do que a média mundial.

Na busca por compreender um pouco melhor o que nos induziria a esse tipo de comportamento, encontrei uma pesquisa de 2017, realizada pela empresa GFK. Tal pesquisa diz que entre os fatores que motivam essa vaidade tanto para homens como mulheres, estão: sentir-se bem consigo mesmo, causar uma boa impressão ao conhecer pessoas e dar um bom exemplo para os filhos.

Abaixo dos 30 anos existe ainda a preocupação em ser atraente e acima dos 50 anos, em agradar o parceiro. É claro que as pesquisas costumam espelhar uma atitude que representa uma média da população, então aqueles que fogem do padrão acabam ficando de fora.

BELEZA PARA VIÚVAS

Vejo, por exemplo, que acima dos sessenta anos no meio em que convivo, existem duas situações que acontecem muito e que irão influenciar na vaidade:

  • na primeira, a mulher (viúva ou não) cuida da sua imagem porque quer sair de casa para se divertir com as amigas, tem uma vida cultural e social bem agitada;
  • já na segunda, a mulher está viúva e por isso, não se vê mais na obrigação de estar bonita, porque todo o seu autocuidado era direcionado para agradar o marido e não a ela mesma.

BELEZA PARA AS CUIDADORAS FAMILIARES

Existe ainda um público que é majoritariamente feminino e na faixa etária acima dos cinquenta anos (ainda que isso esteja se ampliando para todas as idades):

  • grupo das pessoas que se tornam cuidadores familiares de entes que possuem algum tipo de enfermidade crônica.

Eu me encontro dentro desse universo e percebo como é difícil o autocuidado quando a nossa preocupação central é o bem-estar do outro. O cuidador vem em último lugar e por isso a sua imagem acaba ficando de lado, e em consequência a vaidade e a autoestima.

É uma luta constante nos lembrarmos de que para que façamos o melhor para o nosso doente, é fundamental que estejamos saudáveis, e para isso acontecer, precisamos nos cuidar.

A BELEZA PARA OS HOMENS MADUROS

No caso dos homens maduros, a realidade da vaidade pode ser bem diferente. Uma grande maioria, ao longo da vida, vincula o cuidado com a aparência ao sexo oposto ou, então, ao universo profissional.

Então, ao se aposentarem, se aposentam também da necessidade de se cuidar. Se o homem estiver casado, a tendência é permanecer mais tempo em casa, diante da televisão, sem se preocupar em estar com a saúde ou a imagem em dia, quer ter os cuidados da companheira.

No caso de o homem estar solteiro, há a necessidade de encontrar uma parceira, então a vida se torna mais ativa e os cuidados com a imagem integram a sua rotina diária: a ginástica, a compra de roupas atuais, o corte de cabelo e os eventos sociais.

Para aqueles que buscam frear os efeitos “indesejáveis” do envelhecimento temos uma ampla gama de tratamentos estéticos e cosméticos que prometem maravilhas para quem está disposto a investir uma boa soma de tempo e de dinheiro.

Nada contra esse tipo de cuidado, eu mesma tenho um ritual diário de beleza, mas que isso seja feito de forma consciente, entendendo que não é possível parar o relógio, mas fazer uma boa manutenção, evitando avarias mais sérias.

Milagres não existem então a ideia é estar relativamente preparado para lidar com questões que estariam relacionadas ao “tempo de uso” do nosso corpo e à nossa genética. Que bom que estamos começando a presenciar um movimento, ainda que tímido, de atores importantes dos meios de comunicação como a revista VOGUE, que é uma lançadora de moda e formadora de opinião.

Desde 2017, iniciou uma campanha para que as empresas de beleza não utilizem mais a terminologia anti anging em seus produtos, partindo do princípio que não é possível parar o processo de envelhecimento.

fonte da imagem: revista Vogue

Vou acompanhar a repercussão disso e espero trazer mais notícias sobre essa questão. Outras empresas que merecem os aplausos para as suas ações são a DOVE (#belezaforadacaixa, #realbeauty) e a NATURA (#bemestarbem, #vivaasuabelezaviva).

A Dove começou a utilizar o tema “Beleza Real” para a sua publicidade em 2004, ao mostrar mulheres do dia a dia sem os efeitos especiais do Photoshop. Com essa série de propagandas a Dove ganhou inúmeros prêmios, além de ter tido um aumento gigantesco nos seus resultados de vendas.

Em 2017 a marca atualizou a ação “Real Beleza” com novos anúncios que mostram 32 mulheres, de 11 a 71 anos, originárias de 15 países ao redor do mundo, incluindo Brasil, Índia, China e as Filipinas. O objetivo principal é mostrar que a “Real Beleza” feminina inclui uma diversidade de etnias, formas, tamanhos e estilos.

É importante falar sobre alguns dados encontrados em um estudo recente feito pela Dove e que está disponível em seu site:

  • apenas 4% das mulheres em todo o mundo se consideram bonitas
  • 80% das mulheres concordam que todas possuem algo de bonito em si, mas não conseguem saber o que seria
  • 54% das mulheres entendem que são elas que mais se criticam
  • 76% acreditam que os meios de comunicação estabelecem um padrão de beleza inalcançável

A Natura vem construindo uma trajetória bem coerente. Um dos primeiros slogans utilizados por ela foi ““Beleza não tem idade”, nos idos anos de 1984, que buscava mostrar que os seus produtos poderiam reduzir as rugas, mas não trariam a juventude de volta. A primeira campanha de Chronos, no início dos anos noventa, juntou dezoito mulheres de todas as idades, profissões, cores, pesos e estaturas.

Ainda hoje a linha Chronos continua a ser um dos carros-chefes da empresa focando no conceito de beleza livre de estereótipos. Em 2000 a Natura adotou o posicionamento “Bem Estar Bem”. E assumiu a palavra velho nas suas mensagens ao criar a hashtag #velhapraisso para divulgar um vídeo aonde cinco mulheres enfrentam o tabu de serem consideradas “velhas demais” para suas escolhas.

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fonte da imagem: site da natura

O trabalho dessas empresas da beleza é fundamental para que sejam criados novos padrões estéticos que representem as escolhas de homens e mulheres de uma forma mais ampla, sem terem que se encaixar em grupos restritos com os quais não se identificam.

Comportamentos que fogem do que é praticado pela maioria tendem a serem marginalizados e depreciados, mas, quando encontram um eco para suas atitudes, se fortalecem e se validam.

A internet tem um papel fundamental nesse sentido, pois é a partir dela que são criadas pontes inimagináveis, encurtando distâncias e reduzindo a dificuldade de se comunicar em outras línguas. Essa quebra de barreiras produz esse conceito de diversidade que tem norteado uma ampla gama de ações educacionais.

Para mim é até difícil pensar que foi somente agora, com quase 40 anos, que entendi que a busca por uma imagem saudável seria uma meta muito mais interessante do que a busca por uma imagem jovem. Creio que é impossível alguém se sentir bonita e feliz se, ao mesmo tempo, não estiver se sentindo saudável.

Sabiam que de acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS), ter saúde não é somente não ter uma doença, mas ter um estado de equilíbrio entre corpo, mente e o social. Ou seja, não dá para ser saudável se você não se valoriza, não se cuida, não tem o apoio dos seus amigos e família ou não os apoie de alguma maneira.

Ter saúde dá trabalho, não é algo que acontece sozinho, por osmose. Precisa ser uma preocupação diária e constante, fazer parte da rotina. Não dá para escovar os dentes uma vez por semana e acreditar que a prevenção de cáries e outras infecções está sendo feita, assim como não dá para tomar banho somente aos Sábados e acreditar que é o suficiente para ter um corpo limpo e bem cuidado.

Da mesma forma, não dá para encontrar os amigos somente uma vez ao ano e achar que isso basta para se sentirem amados e amparados. O tempo não pára, então, quando vimos, ele já passou e não reservamos espaço para cuidarmos de nós e concretizarmos essa interação.

Afinal, ter saúde na maturidade envolve também questões sociais, então para que possamos construir uma imagem positiva da velhice é preciso acontecer ações em conjunto com essa finalidade. Eu, como estilista e consultora de imagem, quero poder conseguir quebrar alguns paradigmas relacionados à beleza acima dos cinquenta ou sessenta anos.

Não precisamos viver buscando nos encaixar em padrões estéticos, mas sim entender qual é a nossa beleza, respeitando os nossos valores, as nossas limitações, mas também compreendendo que é importante se cuidar e buscar ajuda de profissionais se estiver difícil fazer tudo sozinho.

Assim, pretendo com esses textos trazer informações e reflexões que nos aproximem cada vez mais da nossa essência, do que é fundamental para nos sentirmos mais felizes, bonitos e autênticos.

Com carinho,

Julia

Artigo escrito por mim no mês de Maio de 2018, como colaboração para o site: aterceiraidade.net

Sou 60 No Sempre Um Papo

Olá,

No dia 07 de Novembro de 2017 estive no Projeto Sempre Um Papo aqui em Beagá onde a jornalista Roberta Zampetti conversou sobre a sua primeira obra literária. Roberta realizou inúmeras pesquisas sobre a maturidade e a longevidade na busca por se entender melhor. Desse processo nasceu o programa Sou 60, que começou a ser veiculado pela Rede Minas há mais ou menos um ano e está disponível gratuitamente no youtube. Já é um sucesso e em breve será exibido nacionalmente. Oba! Também será lançado um site onde serão hospedados todos os conteúdos acumulados pela autora.

Alguns personagens entrevistados por ela compartilharam as suas experiências com o público do evento. Me diverti com o senhor paraibano que descobriu que existia depressão quando chegou a Minas Gerais. Bem humorado, contou que imaginara que depressão era algum tipo de comida muito comum por essas bandas. Justificou a sua ignorância em relação ao termo explicando que no nordeste não se conhece esse sentimento. Aconselhou-nos a viver com mais autonomia sem nos preocuparmos tanto em agradar aos outros. Ótima dica! Vamos nos movimentar mais e depender menos.

Iniciei a leitura do livro e de cara identifiquei-me com a Roberta. Embora em fases diferentes da vida, ambas buscamos novos propósitos, com a intenção de entender o que realmente nos preenche e dá satisfação. Assim como ela, venho transformando o meu aprimoramento pessoal em uma ferramenta de utilidade pública. E por fim, acreditamos que o conhecimento e a conscientização promovem grandes transformações. Não dá para fechar os olhos para os mais vividos e fingir que eles não fazem parte da sociedade, é preciso trazê-los para o centro da convivência e criar espaços para que eles interajam naturalmente com todas as idades.

Amei o prefácio do livro da Roberta escrito pelo médico gerontólogo Alexandre Kalache. Ele incentiva a interação geracional em todos os ambientes, incluindo o escolar, uma vez que estamos perdendo esse costume dentro de nossas próprias casas, famílias e ambientes profissionais. A velhice não chega de repente, embora a sensação geral seja a de que um belo dia nos enxergamos velhos. Então a recomendação é começar a se preparar desde cedo. Uma juventude saudável é um grande passo para se ter uma velhice com uma boa qualidade. Bora lá? Eu estou me preparando.

Com carinho,

Julia

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fonte da imagem: Julia Bello.

Moda para a Maturidade

Olá!

Essa semana estive envolvida com a elaboração de conteúdo para o curso de consultoria de imagem e alguns dos assuntos das aulas foram moda, indumentária e estilo. Sempre que falo sobre esses temas faço questão de frisar que moda não é futilidade, como muitos pensam por aí. A maioria do pessoal é bem pé no chão, trabalhador, esforçado, porque é um trabalho muito complexo, trabalhoso.

Para aqueles que não pertencem ao meio fashion, é bom dizer que a moda é o reflexo do que acontece em uma sociedade em determinada época. Ela influencia diversos aspectos além da roupa, como: música, filmes, literatura, arquitetura, hábitos, objetos de decoração, culinária, tecnologias, viagens entre outros. Não precisa ser prioridade na vida de ninguém, mas sem dúvida traz um ar de frescor e modernidade para aquilo que já se tornou comum e sem graça.

Observo que hoje nem a velhice ou a juventude possuem o mesmo significado de antigamente. Li um artigo que dizia que o comportamento do jovem está influenciando o comportamento do público senior e isso pode explicar um pouco porque as pessoas acima de 60 não querem agir segundo um estereótipo. Assim como os jovens, são inquietos, ativos e buscam atividades que lhes deem prazer.

Desta forma, imagino que em breve os 60+ se verão melhor representados pelo comércio e serviços, pela moda, porque as suas demanda já estão sendo observadas, estudadas, para que sejam atendidas. Para mim uma das sacadas mais importantes é que não é necessário criar produtos totalmente diferentes dos que existem, mas adaptá-los. Dessa maneira as pessoas se sentiriam mais incluídas.

E se temos look do dia de blogueiras adolescentes e jovens que influenciam tantas pessoas, que tenhamos também boas referências no quesito 50 ou 60+. Consuelo Blocker http://www.consueloblog.com/ tem feito um trabalho interessante e hoje descobri também os blogs da Beth Djalali https://www.styleatacertainage.com/ e Dorrie Jacobson http://www.seniorstylebible.com que sugerem uma estética bonita e atual.

Com carinho,

Julia

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Eu Vejo também

Olá,

Esta semana, ao preparar algumas aulas para o curso de consultoria de imagem que irei ministrar lá no Senac, encontrei o canal do youtube da Daiana Garbin. Ela era repórter da Rede Globo e resolveu sair da emissora para se dedicar ao movimento Eu Vejo. Daiana tem a intenção de compartilhar a sua experiência como portadora de um transtorno de distorção de imagem. A cada semana Daiana entrevista psiquiatras, dermatologistas, nutricionistas e pessoas que possuem algum histórico com problemas de aceitação da própria imagem.

Vocês sabiam que a construção da nossa imagem corporal é feita a partir da interação afetiva com o outro na infância? Dr. Alexandre Pinto de Azevedo, médico psiquiatra, diz ainda: “Quanto mais precocemente se constrói uma autoavaliação positiva e, portanto, uma autoimagem positiva, mais seguro de si o indivíduo será, não somente o seu corpo, mas também os inúmeros parâmetros de autoavaliação.” Percebo agora como as pessoas em geral não entendem o peso de uma boa educação, que ofereça uma visão ampla do que é a beleza, evitando a imposição de estereótipos, incentivando a diversidade.

Desde adolescente, tenho muito medo de engordar, de ficar gorda e na verdade nunca o fui. Olha os exemplos que eu tive em casa: uma mãe que sempre foi bastante magra e um pai que costumava estar bem acima do peso, em constante briga com a balança. Assim também eu, vivia de dieta. Um dos maiores medos do meu pai era que as suas filhas ficassem acima do peso como ele. Agradeço à minha mãe que procurou dosar comidas saudáveis com outras nem tanto, ainda que gostosas, para que soubéssemos lidar bem com todas as situações.

Continuo acreditando que posso perder um pouco mais de peso, a minha referência de beleza é a pessoa magra. Gosto da minha imagem no espelho, mas nas fotos a situação costuma ficar mais complexa porque muitas vezes o que estava ok para o espelho, se transforma em defeito. No entanto, nada disso me impede de realizar as minhas atividades e nem de manter uma vida social, porque acho que é normal não se achar linda todos os dias.

Como consultora de imagem, lidar com uma diversidade de belezas me ajudou a descobrir que o que antes era considerado fora dos padrões pela sociedade pode ser bonito e interessante. As pessoas precisam aprender a se aceitar e a valorizar os seus pontos fortes e quando consigo fazê-las enxergar isso, sinto-me muito realizada. Que cruel é a nossa cultura que pune os cidadãos tentando alcançar padrões inalcançáveis de beleza com modelos que não representam as pessoas comuns. E se já é difícil enfrentar isso enquanto jovem, imagina quando chegamos à maturidade?

As redes sociais tornaram essa relação ainda mais complicada porque aproximam realidades muito diferentes e ensinam métodos de autocuidado que podem acabar sendo nocivos com o tempo. Essa semana me deixou muito triste a falta de critério da publicidade de uma marca de beleza que mostra um produto anti-idade sendo usado por uma quase adolescente de 21 anos. Fico agradecida, porém, de ver que existem pessoas como a Daiana Garbin que utiliza a sua popularidade em prol da saúde e da conscientização sobre problemas que não são discutidos ou tratados da maneira mais adequada pela nossa sociedade consumista.

Com carinho,

Julia

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fonte da imagem: site Daiana Garbin

Tarde de aprendizado na Motivato

Olá!

Ontem passei a tarde na companhia de parte da turma de alunas da Motivato, que é uma empresa muito interessante aqui de Belo Horizonte. Ela oferece atividades semanais para o público 50+ que deseja ter mais qualidade de vida e motivação. Conheci a Giselle, a fundadora da Motivato, no encontro mensal do Lab 60+ aqui em BH. O Lab é uma iniciativa que visa contribuir para o empoderamento do público 60+ e tem abrangência nacional.

Lá no Lab apresentei a minha ideia de trabalhar com a imagem do público 50+ e a Giselle se ofereceu para fazer uma parceria que teve início na tarde de ontem. Iniciei a preparação desse workshop na semana passada, busquei músicas, imagens, defini reflexões e exercícios. Para mim essa parte da preparação do material é uma diversão, amo pesquisar, elaborar e planejar a dinâmica da apresentação. Não paro até me sentir satisfeita com o resultado.

Valeu muito a pena todo esse comprometimento porque esse público é incrivelmente inteligente, curioso, carinhoso e criativo. Me diverti, me emocionei, e aprendi com a experiência de vida de todas as mulheres que aceitaram o nosso convite para discutir sobre um assunto tão complexo como é a nossa identidade.

Voltar o olhar para as nossas demandas pode ser penoso, para uns mais do que para outros, mas o resultado compensa. Somos o resultado das nossas histórias, tanto das alegrias quanto das tristezas e isso nos torna seres únicos. Admiro as pessoas que não desistem de aprender e de se divertir de uma maneira sadia e autêntica, expressando as suas potencialidades.

Com carinho,

Julia

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fonte da imagem: Motivato

Workshop Descobrindo a Imagem que te Representa

Olá!

Semana que vem será a estréia da minha parceria com a Motivato, uma empresa muito bacana que tem como objetivo oferecer um espaço de convivência para a turma 50+ cuidar da saúde, fazer novos amigos, descobrir novos interesses ou aprimorar conhecimentos.

No workshop “Descobrindo a Imagem que te Representa” conversaremos um pouco sobre autoimagem, o que a imagem da mulher madura representa na nossa sociedade, os papéis que assumimos ao longo da vida e que serão fundamentais para entender e significar a nossa imagem atual, que nos representa e nos torna seres únicos, interessantes e belos, cada um à sua maneira.

Venha participar deste momento incrível! Vagas limitadas!
Faça sua inscrição pelo site:
https://www.sympla.com.br/workshop-motivato-descobrindo-a-i…

bannerworkshopmotivato

A Invisibilidade da Maturidade

Olá!

Em praticamente todos os conteúdos que leio sobre a maturidade se fala da tal invisibilidade que principalmente as mulheres adquirem ao atingir certa experiência de vida. Falta uma linguagem que as represente, que entenda os seus gostos e necessidades. A publicidade, a moda, a beleza, a medicina, as empresas e a educação são algumas das áreas que necessitam atualizar a forma de lidar com esse público.

O livro “A Revolução das Sete Mulheres” mostra depoimentos de mulheres que se incomodam por serem mostradas a partir de estereótipos. Não se sentem como as idosas de antigamente, são vaidosas, produtivas e sociáveis. Acima de tudo, querem preservar a sua individualidade e a liberdade de escolha.

Fogem dos tem que vestir roupas sóbrias, tem que usar cabelos curtos, tem que pintar os cabelos ou tem que frequentar um mundo reservado para a terceira idade. A paixão, seja por elas mesmas, outra pessoa ou um novo projeto faz com que mantenham a chama da vaidade acesa.

Dentro desse panorama, para mim se torna interessante voltar o meu olhar para o universo de minha mãe. Posso afirmar que viveu fora dos padrões convencionais e buscou a sua autenticidade. Mesmo hoje, com as limitações que o Alzheimer lhe trouxe, conserva a sua personalidade. Quer escolher as suas roupas, acessórios, comida e programa de televisão. Usa maquiagem todos os dias.

Percebo que ela entrou para outra categoria de invisíveis, que é a dos doentes sem “cura”. No entanto, quem convive com ela, vê que ali também não existe regra, cada caso é um caso. Hoje mesmo, ao conversar sobre o seu estado de saúde ouvi a seguinte frase: engraçado, era para ela estar piorando, mas está melhorando. Raramente vejo o Alzheimer ser representado com essa vitalidade.

Com carinho,

Julia

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fonte da imagem: site linguagem do coração

O Corpo é a Casa

Olá!

No último final de semana visitei a exposição “O Corpo é a Casa” do artista austríaco Erwin Wurm no Centro Cultural do Banco do Brasil aqui em Belo Horizonte. O que me atraiu para a visita foi a ideia defendida por Erwin de que qualidades antes concedidas às pessoas, agora podem ser transmitidas para os objetos. Dessa forma, o corpo se adapta à roupa ou à comida; a casa e o carro engordam. Faz um bom tempo que o ser humano se apresenta para a sociedade utilizando-se de bens de consumo duráveis ou não, no entanto, transformar esse conceito em imagem, pode ser perturbador.

Em entrevista para o jornal Correio Braziliense, o artista ainda comenta que somos as primeiras esculturas já feitas: ganhamos e perdemos peso, somos esculturas nuas constantemente. Se você tem essa noção, é fácil dar o primeiro passo na ideia de que, se mudarmos volumes, mudamos o conteúdo. Não posso deixar de concordar com Erwin, uma vez que, como consultora de imagem, tive a oportunidade de experienciar grandes mudanças internas a partir de mudanças externas relacionadas às roupas. Percebo que do mesmo modo, isso acontece com pessoas que engordam ou perdem muito peso: o psicológico é bastante influenciado.

Imagino que pelo fato de Wurm estar na casa dos sessenta anos, surja uma vontade de abordar a obesidade nesta faixa etária. Na porta de entrada do centro cultural nos deparamos com uma figura enorme de cabelos grisalhos e durante o itinerário performativo, é dada uma receita de como passar do manequim 50 para o 54, também ilustrada com um senhor calvo (foto abaixo). Esse passo-a-passo, incluiria muita comida sem valor nutritivo e pouquíssima atividade física. Alguém se reconhece nessas escolhas?

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Outro ponto interessante para mim foi a relação criada entre a pessoa e a roupa. Não existem rostos, somente corpos sendo vestidos, de homens e mulheres, às crianças. Todos eles perdem a sua identidade para “ostentar” uma imagem que pode ser incômoda, exigir uma postura inadequada, transformando-os em objetos massificados. Até que ponto permaneceremos “escravos” da moda? Quando é que conseguiremos escolher uma imagem que seja adequada às nossas necessidades reais? Essas são algumas das questões que eu me perguntei ao analisar o trabalho.

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Talvez possa haver esperança se tivermos a coragem de lidar com os nossos problemas e exercitar as nossas capacidades, mesmo que estivermos mais para o final da caminhada. Aliás, quando é mesmo que ela termina? Tem gente achando que com sessenta anos ela acabou. Acredito que dependa do que você decide fazer com ela, com a escultura viva que representa cada um de nós.

Com carinho,

Julia

fonte das imagens: julia bello

 

Bate Coração!

Olá!

Fui ao cardiologista fazer um exame de rotina para conseguir um atestado médico. Durante a breve consulta, resolvi fazer uma pergunta ao médico: quem tem mais problemas cardíacos, o homem ou a mulher? Fiquei surpresa com a resposta: até a menopausa feminina, os homens estariam mais propensos a esse tipo de disfunção, no entanto, após esse período, as mulheres passam também a integrar o grupo de risco.

O livro “Coração de Mulher” do Dr. Otávio Gebara e Dr. Raul Dias dos Santos informa que a doença cardíaca mata mais mulheres do que o câncer. Isso equivale a cerca de 30% das causas de morte acima dos 40 anos. A explicação é a de que com a falta de estrógeno circulando pelo corpo, o organismo perde a sua proteção natural. Outro problema é a mulher não reconhecer os sintomas de um ataque cardíaco que passam por cansaço, náusea e mal-estar geral.

Essas são as explicações biológicas para o problema do coração feminino, mas e as questões psicológicas que potencializam essa situação? Rüdiger Dahlke, no livro “A Doença como Caminho”, comenta que ao percebermos algo de anormal neste órgão, devemos nos fazer perguntas como:

  • Dou espaço suficiente para meus próprios sentimentos, me atrevo a demonstrá-los?
  • Vivo e amo de todo coração ou apenas participo, sem grande entusiasmo?
  • Ainda há combustível e explosivos suficientes em minha vida?
  • Tenho escutado a voz de meu coração?

Pela minha experiência como pesquisadora do comportamento da mulher madura e do meu próprio, vejo que em inúmeras situações deixamos de lado não só o nosso coração e essência, mas todo o nosso corpo e vida em prol da família, seja ela representada pelo marido, pelos filhos ou netos. Dahlke comenta que o colapso cardíaco seria a soma de todos os socos que não foram dados.

Há de se ter em mente que, ao contrário do coração mole descrito acima, a pessoa de coração endurecido, que só pensa nela mesma, também corre o risco de sofrer de pertubações cardíacas. Portanto, como ninguém é perfeito, só nos resta buscarmos balancear os momentos de coração duro, com outros de coração mole. Nada como o caminho do meio! Fácil? Nem um pouco! Mas podemos tentar.

Com carinho,

Julia

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fonte da imagem: site group.br