Convivência Intergeracional

Olá,

Como professora de jovens, adolescentes e adultos, aprendo sempre com as experiências compartilhadas em sala de aula. Por isso mesmo, sei da importância deste convívio para que as minhas crenças e conhecimentos sejam oxigenados e se transformem em uma vivência compartilhada. No entanto, nem todos estão abertos ou dispostos a essa troca e podem influenciar aqueles que ainda carecem de uma realidade mais estruturada e consciente.

Não é só na escola que acontecem estes tipos de relações, mas também nas interações sociais e familiares. No caso da doença de Alzheimer, é preciso ter abertura e também uma boa dose de autoestima para não levar certos tipos de atitudes para o lado pessoal. Quando o paciente com DA resolve utilizar-se de termos considerados chulos, ou de baixo escalão, não o faz com a intenção de magoar. Ele quer se expressar e não encontra as palavras mais adequadas.

Li um artigo sobre a convivência intergeracional de doentes de Alzheimer e suas filhas e netos que explica essa situação. As regras do sistema familiar costumam obedecer a padrões que foram passados de geração para geração. Um bom relacionamento dos seus membros antes do diagnóstico favorece uma coesão dos mesmos em prol de uma melhor assistência ao doente.

Geralmente acontece uma troca maior de afeto e cuidados entre os netos e os avós quando todos moram na mesma residência e os pais precisam sair para trabalhar. Entretanto, esse convívio  precisa ser incentivado ou inibido pelos pais. É preciso que a criança ou o jovem entenda a condição do doente e desenvolva empatia por ele para que possa se colocar à disposição para a troca.

Hoje foi bom perceber que mamãe ainda possui uma noção de hierarquia familiar como avó. Mesmo com a confusão mental que enfrenta, entende as birras das crianças e quer corrigir, mostrar que o comportamento não está certo. Quer preservar o seu espaço e individualidade dentro da sua casa, mas ainda quer interagir e usufruir da companhia familiar. Quem foi que disse que não dá para sociabilizar no final do estágio moderado do Alzheimer?

Com carinho,

Julia

juliabello-catraquinha

fonte da imagem: site catraquinha

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