Cada caso é um caso

Olá!

Esse fim de semana estava conversando com uma das cuidadoras da minha mãe e ela comentou que uma das professoras de seu curso de cuidador de idosos não acreditava que a minha mãe possuía Alzheimer devido à sua capacidade de fazer as suas atividades rotineiras de forma independente. Ainda comentou: se ela tem Alzheimer, deve estar nos estágios iniciais. Nada disso! Ela tem pelo menos dez anos de diagnóstico.

O médico e psicanalista Jung já dizia em seu livro Memórias, Sonhos, Reflexões que a ciência trabalha com noções médias, genéricas demais para poder dar uma ideia justa da riqueza múltipla e subjetiva de uma vida individual. O meu objetivo em trazer esse fato aqui para você é para que nos tornemos mais atentos às generalizações, tanto dos sintomas quanto dos tratamentos das doenças.

A minha mãe estudou muito, deu aulas por trinta anos, fazia exercícios físicos, se alimentava bem, não exagerava no álcool. Também não fumou a maior parte de sua vida. Todos esses fatores, somados ao tratamento que recebe, talvez fazem com que a sua doença seja um pouco menos penosa. Ela é estimulada frequentemente com as aulas de pilates, música e artes, além de sair de casa todos os dias para almoçar. Acho um pecado dopar os doentes que têm condições de ter uma vida ativa, apenas pelo fato de ser mais cômodo para quem cuida.

Na minha opinião, cabe às pessoas que estão à sua volta definir e testar os seus limites. Dizem que não se deve expor os doentes de Alzheimer a lugares muito barulhentos e acabamos afastando-os do convívio social. No entanto, tenho levado a minha mãe para encontros e confraternizações e ela tem se portado muito bem, com bastante tranquilidade. Quando ela se cansa, a levamos para casa. No entanto, devo enfatizar aqui que as saídas devem ser predominantemente diurnas. À noite a sua resistência é menor porque gosta de dormir cedo.

Sempre sou parabenizada por médicos e profissionais da área da saúde pela maneira com que cuido da minha mãe, parece que é raro ter filhos que lidam bem com a situação. Geralmente fico feliz em ver que o meu trabalho está sendo reconhecido, mas costumo ficar triste por ver que as pessoas não cuidam de seus pais e esquecem que um dia será a sua vez de serem cuidadas.

Com carinho,

Julia

juliabello-tiagolemosdesporto

fonte da imagem: blog tiago lemos desporto

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11 comentários sobre “Cada caso é um caso

  1. Lucrecia M. B. Muniz disse:

    Júlia, parabéns pela dedicação e compreensão ao lidar com a doença de sua mãe. A doença exige não só tratamento médico, mas sobretudo cuidados e carinho da família. Linda sua página!!!

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