Quando as palavras são os sentimentos

Olá,

Não sei porque, mas desde pequena não tolero ouvir, quanto mais falar palavrões. Uma das minhas máximas era a expressão: “Vai catar coquinho!” O oposto da minha mãe, que, por não poder falar em casa, achava esse ato extremamente libertador. Aliás, creio que ainda o acha, pelo o que vejo.

Geralmente os piores termos são reservados para os momentos especiais, quando precisa fazer algo que não quer, como tomar banho ou trocar as roupas. Também pipocam em situações aonde ela não entende o que está acontecendo ou quando o barulho do ambiente a incomoda. A campainha e o telefone não podem tocar!

Paro, respiro fundo e penso: mamãe não sabe mais o significado desse vocabulário que fere os meus ouvidos e às vezes o coração! Para ela não são exatamente palavras, mas emoções que saem pela boca e que podem não estar mais relacionadas à sua real definição. Engulo o choro. Faço isso com mais facilidade a cada dia. Me sinto mais leve.

De resto, sobra “Cruz credo” para quando se manifesta com moderação, fazendo graça! A linguagem corporal é uma piada. Quando quer brincar, inclina o corpo para trás, projetando a barriga para frente, abre as pernas e solta uma gargalhada! Mostra muito a língua, zombando da gente. Sempre admirou os palhaços.

Agora mesmo, ao assistir à televisão, a pego dizendo: “Quanta bobajada!” E logo grita: “Viva! Viva!” E o diálogo com a telinha começa: “Sai pra lá! Panaca! Iuhu! Iuhu! Ai meu santo sacramento! Que homem bonito!”

Já, já ouço os seus passos em direção ao meu quarto. Então pergunto: “Quer que mude de canal?” Ao que ela responde: “Não precisa não. E eu: ” Mas achei que o filme estava bobo!” Ela responde: “Não, está bom.” E emendo: “Assistir a umas bobagens de vez em quando pode ser bom, não é?” Sua boca se abre em um sorriso!

Êta Bubu! Como amorosamente a chamamos. E nós, as suas filhas, somos as Bubuzinhas ou as suas tiutiuzinhas, que é o termo que ela utiliza para evitar demonstrar que esqueceu os nomes das pessoas.

Com carinho, gargalhadas e alguns olhares marejados,

Julia

juliabello-dreamstime

fonte da imagem: pt.dreamstime

 

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4 comentários sobre “Quando as palavras são os sentimentos

  1. Olivia Oliveira CavalcantiSilva disse:

    Emocionante o seu texto JÚlia. É muito bom vê-las juntas e o carinho que você tem com a Mirinha. Que Deus continue abençoando-as. Beijos.

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