Compartilhando Experiências com o Alzheimer

Olá!

Hoje à tarde fui convidada a participar de um encontro no SERJUSMIG para falar sobre a minha experiência como cuidadora principal do Alzheimer. Foi muito interessante ter a oportunidade de trocar ideias sobre as inúmeras dúvidas que todos temos sobre tantos assuntos que fazem parte deste universo. Estamos falando de uma epidemia, que atinge mais de 1 milhão de pessoas no Brasil e mais de 30 milhões em todo o mundo. E isso não é pouca coisa, não mesmo!

Comecei a minha fala com uma frase de um médico neurologista daqui de Belo Horizonte e que, por coincidência, atendeu a minha mãe no início deste ano. Ele disse o seguinte em uma entrevista: “Hoje, no Brasil, a população tem informações bastante genéricas sobre a doença. Há muito desconhecimento – o que gera estigma, exclusão e preconceito”.

Concordo inteiramente com o Dr. Leonardo Cruz Souza nesta colocação. Me pergunto, até quando a sociedade em geral irá manter essa postura de não envolvimento? As pessoas que foram diagnosticadas e aquelas que ainda não o foram (mas em breve serão: 1 novo caso a cada 3 segundos no mundo) precisam fazer parte da vida da família, dos amigos, não podem e não devem ser excluídas, para não serem “incomodadas” ou não “incomodar” os outros.

Assim, gostaria de dar algumas dicas para quem deseja se envolver mais com o Alzheimer e outras demências, mas ainda está receoso a começar. Como lidar com essas pessoas? Veja abaixo:

–  Evite discordar ou perguntar demais (as perguntas devem ter como resposta sim e não);

– Fale sobre a sua vida;

– Fale sobre assuntos que interessavam ao doente;

–  Evite falar muito rápido e alto demais;

–  Assista a filmes, veja fotos, ouça músicas, comente notícias de jornal;

–  Seja atento, paciente, alegre e carinhoso (sorria sempre que puder);

–  O ajude nas tarefas, elogie, só faça pelo doente ele quando não puder fazer;

–  Se o doente estressar, mude o foco introduzindo novas atividades;

– Procure fazer as visitas durante o dia e ao perceber sinal de cansaço do doente, se despeça carinhosamente.

Mesmo que você ache que quem tem Alzheimer ou outras demências não entenda direito quem é você ou o que veio fazer ali, tenha a certeza de que ele compreende a linguagem do afeto. Ele se sentirá menos sozinho e desamparado, mesmo que seja por alguns minutos. Imagine o sentimento de medo que ele deve experimentar a cada perda das suas funções. Ter alguém de confiança ao lado para ampará-lo nestes momentos é fundamental.

Agradeço pelo convite da SERJUSMIG e espero ter mais oportunidades para esclarecer e desmistificar um pouco mais do dia-a-dia com o Alzheimer.

Com carinho,

 

Julia

juliabello-palestraSERJUSMIG

fonte da imagem: Julia Bello

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s